Verificação de Identidade Online via API: O Guia Brasileiro

Toda operação digital de risco esbarra na mesma pergunta: quem está do outro lado? Abertura de conta, liberação de crédito, aprovação de uma transferência, assinatura de um contrato — o que muda é o ato; a pergunta é a mesma. Este guia mostra como responder a ela via API no contexto brasileiro: a escada de garantia (do código OTP ao cross-check contra bases governamentais via SERPRO), quando a verificação anda atrelada à assinatura e quando ela vira um produto próprio — a Sessão de Confiança — e o que fica registrado como evidência em cada caso.

Uma tese orienta este guia: assinatura é um caso particular de verificação de identidade. O que dá valor jurídico a um documento assinado não é o desenho da rubrica — é a evidência de quem estava ali. Plataformas que tratam identidade como cidadã de primeira classe conseguem proteger não só documentos, mas qualquer ato que precise de um "foi ele, e posso provar".

A escada de garantia: cinco degraus, um campo

Na API da SignDocs, o nível de verificação é o campo policy.profile — a mesma escada serve para assinar um contrato ou autenticar um ato avulso. Cada degrau responde à pergunta "quem é você?" com uma prova de natureza diferente:

Degrau O que prova Mecanismo
Código OTP (e-mail/SMS) Posse do canal de contato CLICK_PLUS_OTP: código de uso único no canal informado
Biometria + prova de vida Pessoa real, com aquele rosto, presente no ato BIOMETRIC: liveness (AWS Rekognition) + match facial com score
Match com documento O rosto confere com o documento de identidade apresentado BIOMETRIC_DOCUMENT_FALLBACK: liveness + DOCUMENT_PHOTO_MATCH
Cross-check governamental Identidade confirmada contra registro oficial do Estado BIOMETRIC_SERPRO: liveness + match + SERPRO_IDENTITY_CHECK (bases CNH/RG)
Certificado ICP-Brasil Posse e uso da chave privada do titular DIGITAL_CERTIFICATE: assinatura qualificada, presunção legal

Cada degrau adiciona garantia — e fricção. A engenharia da coisa está em escolher o degrau proporcional ao risco do ato, não em usar o máximo sempre. Para o detalhamento de como a prova de vida bloqueia fraudes de apresentação (fotos, vídeos, deepfakes), veja deepfakes e prova de vida; para a régua jurídica dos níveis, assinatura qualificada, avançada e simples.

Modo 1 — Identidade atrelada à assinatura

O caso clássico: o documento importa, e a verificação de identidade blinda o ato de assinar. Você cria a sessão de assinatura com o documento e escolhe o degrau da escada no policy.profile:

# Assinatura com verificação biométrica + cross-check SERPRO curl -X POST https://api-hml.signdocs.com.br/v1/signing-sessions \ -H "Authorization: Bearer SEU_ACCESS_TOKEN" \ -H "Content-Type: application/json" \ -d '{ "purpose": "DOCUMENT_SIGNATURE", "policy": { "profile": "BIOMETRIC_SERPRO" }, "signer": { "name": "Maria Silva", "email": "maria@empresa.com.br", "cpf": "12345678901" }, "document": { "content": "JVBERi0xLjQKJ...", "filename": "Contrato_Credito.pdf" } }'

O signatário abre o link hospedado, passa pela prova de vida, pelo match e pelo cross-check — e só então assina. Em envelopes multi-signatário, cada participante pode ter um degrau diferente: o avalista com SERPRO, a testemunha com OTP.

Modo 2 — Identidade sem documento: a Sessão de Confiança

Nem todo ato de risco tem um PDF no centro. Aprovar uma transferência, liberar um valor em escrow, autorizar a liquidação de um sinistro, confirmar uma adesão — nesses casos, o que você precisa é da verificação de identidade como ato próprio, com a mesma força de evidência. É para isso que existe a Sessão de Confiança:

# Autenticar um ato (sem documento) — Sessão de Confiança curl -X POST https://api-hml.signdocs.com.br/v1/trust-sessions \ -H "Authorization: Bearer SEU_ACCESS_TOKEN" \ -H "Content-Type: application/json" \ -d '{ "policy": { "profile": "BIOMETRIC_SERPRO" }, "signer": { "name": "Maria Souza", "email": "maria@exemplo.com.br", "cpf": "12345678901" }, "action": { "type": "approve_payroll_loan_disbursement", "description": "Aprovar liberação de empréstimo consignado — R$ 8.450,00 em 60 parcelas" } }'

As diferenças em relação à sessão de assinatura são deliberadas: não há documento (a API rejeita o campo), e os campos action.type e action.description são obrigatórios — porque a evidência precisa dizer, em linguagem clara, qual ato foi autenticado. O restante é o mesmo trilho: link hospedado, etapas do perfil escolhido, eventos via webhooks e pacote de evidências ao final.

É esse mecanismo que atende os cenários onde a verificação é mandatória, não opcional — crédito consignado INSS (IN 138/2022), VASPs e cripto, telemedicina, atos notariais remotos. O detalhamento de casos de uso está na página da Sessão de Confiança e, para o consignado especificamente, em autenticação biométrica para consignado.

Disponibilidade: a Sessão de Confiança é um recurso habilitado por contrato — cada conta recebe a liberação e uma cota mensal dimensionadas com o time comercial, junto do plano sob medida da API. No sandbox, você desenvolve o fluxo de ponta a ponta antes de qualquer contratação.

Identidade de quem assina ≠ autenticidade do documento

Uma confusão comum em avaliações técnicas: verificar a pessoa e verificar o arquivo são problemas diferentes, com ferramentas diferentes:

  • Verificação de identidade acontece no ato — é a escada deste guia, registrada na trilha de auditoria e no pacote de evidências (.p7m).
  • Verificação do documento acontece depois — este PDF possui assinatura digital? De que padrão? Para isso existem o endpoint POST /v1/verify/document, que detecta assinaturas no arquivo (quantidade, padrão PAdES/PKCS#7 e nível de confiança, sem expor dados pessoais dos signatários), e o verificador público, aberto a qualquer pessoa. O guia completo está em verificação pública de assinaturas.

Uma operação madura usa os dois: identidade forte na entrada, verificabilidade pública na saída.

O que vira evidência (e os limites que a LGPD impõe)

Verificação sem evidência é teatro. Ao final de qualquer fluxo — assinatura ou Sessão de Confiança — a trilha de auditoria registra o desfecho de cada etapa (liveness, match com score, cross-check SERPRO quando aplicável), com timestamps UTC, IP, geolocalização e user-agent, tudo amarrado no pacote de evidências verificável de forma independente.

Do lado da LGPD, os princípios do fluxo: dado biométrico é sensível (art. 11), então o ato começa com o aceite expresso do termo de tratamento; a imagem serve exclusivamente à verificação daquele ato; e os prazos de guarda estão na Tabela de Retenção pública, via Central de Confiança. E o limite que mantém tudo proporcional: a SignDocs verifica identidade por ato — não faz score de risco nem perfilamento de pessoas. A pergunta respondida é sempre pontual ("foi ela, agora?"), nunca vigilância contínua.

Por onde começar

  1. Mapeie os atos de risco da sua operação: quais precisam de "quem é você?" com evidência — e qual o custo de errar em cada um.
  2. Atribua degraus proporcionais: OTP para o rotineiro, biometria para o relevante, SERPRO para o regulado, certificado para a presunção legal máxima.
  3. Prototipe no sandbox: credenciais de homologação em api-hml.signdocs.com.br, biometria simulada por padrão, entidades com TTL de 7 dias — sem custo, começando pelo guia de 5 minutos.
  4. Dimensione produção: cotas de verificação, Sessão de Confiança e requisitos como mTLS entram no plano sob medida com o time comercial.

Perguntas Frequentes

O que é verificação de identidade online e como ela difere da assinatura?

Verificar identidade é responder com evidência à pergunta 'quem é esta pessoa?'; assinar é registrar a manifestação de vontade dela sobre um documento. São atos diferentes que muitas vezes andam juntos: toda assinatura séria embute uma verificação de identidade (do clique ao certificado digital), mas há operações que precisam só da verificação, sem documento nenhum — aprovar uma transferência, liberar um resgate, autorizar um acesso. Para o primeiro caso, a SignDocs usa os perfis de autenticação da sessão de assinatura; para o segundo, a Sessão de Confiança (POST /v1/trust-sessions), que autentica um ato e gera o mesmo padrão de evidência, sem envolver documento.

Quais níveis de verificação de identidade a API oferece?

Uma escada de garantia crescente, escolhida pelo campo policy.profile: código OTP por e-mail ou SMS (prova posse do canal), biometria facial com prova de vida e match (prova que uma pessoa real, com aquele rosto, estava presente), comparação com a foto do documento de identidade (DOCUMENT_PHOTO_MATCH, quando não há referência prévia), cross-check da face contra as bases governamentais CNH/RG via SERPRO (identidade comprovada contra registro oficial do Estado) e, no topo, o certificado digital ICP-Brasil. Cada degrau adiciona garantia — e fricção. A escolha certa depende do risco do ato.

O que é a Sessão de Confiança (trust session)?

É a verificação de identidade como produto próprio, desacoplada de documento: uma chamada a POST /v1/trust-sessions cria uma sessão que autentica um ato — descrito nos campos action.type e action.description, por exemplo 'aprovar liberação de empréstimo' — pelo perfil de autenticação que você exigir, do OTP ao cross-check SERPRO. O usuário abre o link hospedado, passa pelas etapas e o resultado vira um pacote de evidências auditável. É o mecanismo usado onde a verificação é mandatória, como no crédito consignado INSS (IN 138/2022), e é habilitado por contrato, com cota mensal dimensionada junto ao time comercial.

A verificação via SERPRO consulta quais bases?

A etapa SERPRO_IDENTITY_CHECK compara a face capturada (já aprovada na prova de vida) com as bases governamentais de CNH e RG mantidas pelo SERPRO, a empresa pública de tecnologia do governo federal. Um match positivo significa identidade comprovada contra registro oficial do Estado — um lastro diferente de qualquer cadastro privado. O resultado, com os scores, entra na trilha de auditoria e no pacote de evidências da sessão.

Verificar a identidade de quem assinou é o mesmo que verificar o documento?

Não — são duas verificações complementares. A verificação de identidade acontece no ato: quem está aqui, agora, é quem diz ser? Já a verificação do documento acontece depois: este PDF possui assinatura digital válida? Para a segunda, a SignDocs oferece o endpoint POST /v1/verify/document, que detecta assinaturas no arquivo (quantidade, padrão PAdES/PKCS#7 e nível de confiança — sem expor dados pessoais dos signatários), e o verificador público em verificador.signdocs.com.br, onde qualquer pessoa confere a autenticidade de um documento sem precisar de conta.

Como a LGPD se aplica à verificação de identidade com biometria?

Dado biométrico é dado pessoal sensível (art. 11 da LGPD). Por isso o fluxo começa com o aceite expresso do termo de tratamento de dados, a imagem facial é usada exclusivamente para a verificação daquele ato, o resultado registrado é o desfecho (match/no-match com score) e os prazos de guarda estão na Tabela de Retenção pública da SignDocs. E um limite deliberado: a plataforma verifica identidade por ato — ela não faz score de risco nem perfilamento de pessoas. Verificação é resposta a uma pergunta pontual, não vigilância contínua.

Como testo a verificação de identidade antes de contratar?

No sandbox de homologação (api-hml.signdocs.com.br) você exercita os fluxos de ponta a ponta — sessões, etapas, webhooks e evidências — sem custo e sem cartão de crédito, com os recursos biométricos rodando em modo simulado por padrão e as entidades expirando em 7 dias. A verificação com biometria real e a Sessão de Confiança em produção são habilitadas por conta, com cotas dimensionadas no plano sob medida junto ao time comercial.

Identidade verificada, ato a ato, com evidência

Da assinatura de contratos à aprovação de operações sem documento: a mesma escada de verificação — OTP, biometria com prova de vida, SERPRO, certificado — com trilha de auditoria e pacote de evidências. Desenvolva no sandbox gratuito e dimensione produção sob medida.

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